Andei lendo os comentários sobre o meu artigo sobre video-games, Rock Band e Guitar Hero, e segui a dica do colega McKagan: andei lendo alguns papos que circulam pela Web.
Como disse em meu último artigo sobre esses jogos, eles são uma boa coisa. De acordo com a Network World, "muitos desses gamers disseram que a experiência com os jogos trazem alguma consequência positiva, como a vontade de pesquisar sobre música ou comprar discos ou canções pela internet."
Mas o que me marcou ao ler os comentários foi que muitos compararam a habilidade técnica de tocar um instrumento de verdade e o instrumento de plástico. De fato, os games fazem com que você tenha uma cordenação visual e manual. Mas e sobre a mágica? Não vi nenhum comentário falando sobre a magia que é a música. Habilidade técnica é importante, mas você não necessita de uma certa competência para capturar a imaginação de um ouvinte.
Primeiramente, o que é música? Por que nós reagiamos a certos tons e ritmos? É um milagre que nós seres humanos desfrutamos. Quando toco minhas canções favoritas, ou ligo o meu aparelho de som, fico imaginando - o que meu cachorro ouve? Tenho medo de que ele ouça apenas barulho, berros e ruídos.
Por outro lado, sou movido por um som mais excitante. E um grande solo de guitarra ou linha de baixo não precisa ser tenicamente proficiente. Ouça o guitarrista Ace Freehly na música Strange Ways, do Kiss. Ace manda um som insano, que vai além do sustaining ou de dar bendings nas cordas.
O Flipper acaba de re-lançar seus três primeiros discos. (Escrevi no encarte que acompanha o Generic.) Fico pensando, e se alguma faixa for transcrita para os games? Como a guitarra de Ted Falconi seria transferida para esse formato? Talvez, ao invés das notas caírem na tela, existiria alguma coisa indeterminada que pulsaria na tela, para que o jogador tocasse a guitarrinha. Ted é o Jimi Hendrix da guitarra rítmica. Seu estilo é uma barragem atonal, mas há um jeito maestral e único de fazer a sua loucura toda. Fui sortudo o bastante por poder tocar com ele, e observei sua ténica única de muito perto. Pode chegar de repente, forte como uma onda gigante, mas há também uma sutileza que vale a pena ouvir. (O novo disco do Flipper sairá em Maio, a propósito, com seu colunista no baixo. Jack Endino gravou o álbum, e, como você pode imaginar, a guitarra é o nosso forte.)
É alquimia. A força mágica da música é como transformar chumbo em ouro. E essa não é uma analogia acidental. Muitos músicos talentosos saem do nada. A história nos mostra como grandes talentos são reconhecidos pela instituição que é a música e como artistas novatos são elevados a assinarem algum contrato sujo.
A indústria da música está apenas engarrafando a magia e alguém precisa produzir seus ovos de ouro.
Agora existem esses games, e eles só fazem sentido porque a música avançou a uma nova tecnologia. Les Paul inventou as modernas guitarras elétricas e estas nos deram os Beatles, Led Zeppelin, entre outros.
Na música eletrônica,o computador é a ferramenta que fabrica sons que nos instigam. Eu amo os sons do Muslimgauze, Crystal Method, Chemical Brothers, Bjork, e tantos outros que usam um mouse um teclado ao invés da guitarra de verdade.
Alguma espécie de faísca instiga o artista e aquele sentimento/magia é transmitida ao ouvinte. Aí vai um trocadilho, mas que é a pura verdade: aí, você não consegue colocar o dedo!
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