Tradução do blog original de Krist Novoselic, músico, ativista político e ex-baixista do Nirvana.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Velhas canções numa nova tela



















Krist Novoselic & Jack Endino - Ao vivo no Coast Community, na transmissão do Radio Benefit. A coluna de Krist Novoselic é publicada toça Terça no The Daily Weekly.

O Rock and roll já foi considerado morto incontáveis vezes. Após sofrer alguma baixa, o rock normalmente retorna numa nova onda, cheia de bandas novas e sons diferentes. As coisas são diferentes hoje em dia: o Rock encontrou nova vida nos video-games, e o fenômeno está levando a música para um revival de bandas que estão (ou estavam) por aí há muito tempo.

Minha primeira experiência com os video-games aconteceu quando eu tinha uns 10 anos de idade. Era um jogo chamado Pong. O desafio era manter a bolinha viva na tela usando duas peças retangulares que ficavam cada uma num canto da tela.

No colegial, caí de cara na loucura dos fliperamas durante o começo dos anos 80. Um jogo que gostava muito era o Asteroids (e seu sucessor, Asteroids Deluxe). Eu era muito bom em pilotar aquele navezinha e destruir aqueles asteróides, pires voadores e outras coisas flutuantes que ameaçavam minha existência no espaço. (Bem, o espaço virtual eu podia alcançar com cada uma das moedas de 25 centavos que funcionavam com fichas.)

Mais recentemente, estava andando num shopping center quando me deparei com o jogo Rock Band 2. Entrei na loja e arrisquei uma jogatina.

Eu conhecia o Rock Band, já que o Nirvana tem algumas canções no jogo. Mas nunca tinha jogado, então lá fui eu. Fiquei fuçando nas opções do jogo e achei a música "In Bloom". Peguei aquele controle em forma de guitarra e tentei tocar.

Eu sabia a linha do baixo, claro, mas não consegui tocá-la nesse novo e diferente jeito de tocar.

O jogo me lembrou o Space Invaders. Tentei apertar os botões que correspondiam as notas que caíam na tela, mas mal consegui.

Enquanto isso, havia um garotinho me olhando brincar com o jogo. Fiquei meio constrangido e me livrei do controle. Dei a ele, que continuou tocando a música, e muito bem! Ele não fazia ideia de que eu havia criado o que ele estava tocando, e não disse a ele.

A vida continua: eu segui meu passeio para comprar alguns materiais de pintura, mantimentos e outras coisas da loja.

Desconsiderando minha experiência como jogador, estou adorando o Rock Band. Ao invés de trocar arrquivos, as pessoas estão comprando músicas novamente! HA!!!

Colocando essa questão de lado, eu gosto de como os jogos fazem os jogadores se concentrarem em alguma coisa da música. Quando ouço música, geralmente me apego às linhas de baixo. Com o Rock Band, você pode fazer isso, mas também pode ver o processo das notas.

Música é uma coisa viva. É divertido redescobrir canções em diferentes formas. Por exemplo, ouvir o álbum Love, de 2006 dos Beatles, me fez sentir que eu ouvia aquele grupo sensacional pela primeira vez! Love faz os instrumentos que estavam apagados na mixagem original soarem fortes, vivos.

Remixagens eletrônicas também podem resultar numa completa reinvenção da música. (A propósito - será que podemos ter mais música eletrônica no rádio?)

Boa música, bons filmes, pinturas, livros e outras formas de arte te colocam dentro dela. A excitação e força do rock se adapta bem à dinâmica desse novo mundo criado pelos video-games. O universo virtual é interativo, nos oferece sensações de que é real. Keep on rocking in the free world!!!!!!!