Tradução do blog original de Krist Novoselic, músico, ativista político e ex-baixista do Nirvana.

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Krist Novoselic: Eleições Não-Partidárias Para King County?

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Imagem retirada de um anúncio publicado na revista Live, pelo ano de 1947

Pete Von Reichbauer, vereador do Condado, está propondo mudar as eleições do King County para o sistema não-partidário.

Ele declarou ao Seattle Times que o sistema de eleição não partidário "irá tornar as partições eleitas mais acessíveis", e acrescentou, "com a mudança, as eleições serão mais disputadas". Von Reichbauer, eleito como Republicano, acusou algumas alas do partido de "testes de ternassol" conforme freiam a competição.

Qualificando ou Nomeando as Primárias?

A proposta é para substituir a atual nomeação das primárias por uma qualificação das primárias.

The former is when the state controls a political party's nomination process. The public pays for and administers the internal function of a private organization. This is known in Washington State as the Pick-A-Party primary.

Nearly a century ago, most states took control over nominations to remedy party boss / political machine domination of elections.

I mentioned public nominations and other election reforms of the early 20th century in my last post. I overlooked a widespread effort from that era: non-partisan elections.

Non-partisan elections fall under the qualifying primary system. With this type of election, all candidates can appear on a primary ballot that's devoid of any party designation. (There's no little D or R or whatever next to the candidates' name.) After votes are counted, the Top-Two candidates qualify to go onto the general election.

Same Old — Same Old

Washington State has had local non-partisan elections for decades. (I refer to a recent one in a prior post.) Local elections are mostly low turnout affairs with many uncontested or uncompetitive races on the ballots.

In 2007, partisan elections for King County Council were, without exception, either uncontested or uncompetitive.

Taking the current local election dynamic in consideration, with a non-partisan King County Council, it's safe to say most of the established incumbents would still run unopposed or have token challengers.

However, in countywide races like the executive position, or on the trending competitive eastside, there can be more competition. Then it's almost certain only a Republican and Democrat will square off in the Top-Two. The two major parties could still support their candidates. They'll collect money, coordinate volunteers and buy media. The only place where they will not be is on the ballot as a party affiliation cue.

Real Competition

The Times said that Pete Von Reichbauer, doesn't want to wear either party's label when he runs for reelection. If that's the case, he should run as an independent!

Instead of a useless change of the election system for King County, an independent candidacy can actually foster competition. In a three-way race, a candidate needs only 34% of the vote to get elected in the general. This lower threshold is a reasonable expectation for an experienced public servant like Mr. Reichbauer.

From a partisan perspective, increasing competition isn't necessarily better. If Pete Von Reichbauer ran as an Independent, Republicans would still have to run a candidate to protect what has traditionally been their district. Recognizing an opening, Democrats would run their candidate in prospect of the conservative vote diluting between the former Republican Independent and the proper Republican candidate. Considering the Republican's current ebb, another loss on the eastside of King County, to either an Independent Reichbauer or Democrat, would not look good.

Therefore, I won't hold my breath on an independent candidacy.

Some are cynical about the non-partisan proposal. They say the Republicans hope to gain in King County elections for the long run. Somehow, in elections with open seats, the lack of party identification on the ballot will make King County Council races competitive.

All Party's Lose

If it gets on the ballot, it's highly likely that King County voters will approve the change to non-partisan elections. The Pick-A-Party primary is very unpopular. The two major parties are perceived as foisting their system on voters. Regardless of any debate over the merits of change, if only in spite, antagonized voters will gladly zap party labels off the ballot.


Addition:

It has been brought to my attention, from a friendly readers comment on David Postman's Blog, that my geography is off. I have always thought of places like Auburn as east King County. But maybe I'm wrong on that? And sorry to the Federal Way folks! Also, my thinking lumps together districts 3, 6, 7 and 9: the mostly eastern part of the county which is held by the four Republicans on the council. Perhaps the term suburban would have worked better than eastside. Also, thanks to David Postman for the props!!!

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Krist Novoselic sobre O Movimento Progressivo, A Granja, e William Morley Bouck

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William Morley Bouck

O Movimento Progressista do começo do século 20 fez surgir muitas reformas duradouras. Entre elas as leis antitruste de Roosevelt, eleições diretas para o Senado norte-americano, muitos Estados conquistaram a Legislação Direta (o processo iniciativo), o voto feminino e as primárias públicas / nominações. (O período também experienciou o crescimento com a mais esquecida reforma eleitoral do Single Transferable Vote.)

Muitas pessoas e organizações do Estado de Washington abraçaram o Progressivisimo com fervor. A Washington State Grange [Granja do Estado de Washington) teve papel importante nesse movimento.

Fundada em 1867 durante a reconstrução do sul, os Patronos da Agricultura (Granja) foram uma organização de famílias de fazendeiros que lutavam pelos seus interesses. Coletivamente, moveram um levante contra o monopólio das estradas de ferro. A organização também se esforçou a criar o desenvolvimento de um caráter e expansão do conhecimento dos membros. A Granja foi o grande fio de instrumento ao passo que permitiu que mulheres e jovens pudessem votar como membros. E qualquer ocupação da liderança eleita estava aberta a qualquer membro. Para se proteger de ataques de espionagem, a Granja promovia reuniões fechadas e que requeriam palavras secretas para que os membros pudessem entrar.

Fazendeiros do Oregon e de Washington tinham seu próprio sistema de transporte nos rios Columbia e Willamette. A Companhia de Navegação a Vapor do Oregon dominava essas hidrovias. Para combater esse monopólio do transporte, clubes de fazendeiros foram se organizando. Mais tarde isso culminaria na criação das Granjas. A Washinton Grange foi fundada em 10 de setembro de 1989: dois meses antes do Território de Washington tornar-se um Estado.

Carey B. Kegley serviu como Mestre do Estado (ou Presidente) de 1905 a 1917. Um progressista nato, fez inimigos que pertenciam ao grupo de conservadores do Estado de Washington; um grupo que ele ridicularizou como sendo intitulado de 'Fish, Sawdust and Whiskey Gang' [Gangue do Peixe, Açúcar e Uísque]. Kegley também irritava a liderança da Ganja Nacional conservadora.

O Presidente Kegley acabou falecendo dentro de seu próprio escritório. Como Inspetor (que equivale ao cargo de vice-presidência), William Morley Bouck tornou-se o grande atuante na liderança do estado; à essa altura a organização já contava com cerca de 15 mil membros.

Bouck era um homem fiel a Deus. Fazendeiro de Sedro-Wooly, era um Populista empenhado, Progressista da era de Bull Moose, um ávido e prematuro apoiador do socialista Nonpartisan League, e também um membro da Western Federation of Miners [Federação dos Mineiros do Oeste].

A instituição conservadora, cuidadosamente almejada por Kegley, se aproveitou da ascensão de Boucks para investigar e depreciar a Granja. Isso fez surgiu um momento apropriado para uma guerra; houve alegações de que o novo Mestre era um Pró-Alemão, Bolchevista.

Em 1918, durante a convenção estatal em Walla Walla, a Granja literalmente correu para fora da cidade!

A imprensa local e grupos comerciais ficaram preocupados com a associação de Bouck a uma Liga Não-partidária. Antes da convenção, a Employers Association of Eastern Washington [Associação dos Trabalhadoras do Leste de Washington] enviou um representante que alertou as empresas privadas sobre a ameaça da Liga .

Os delegados da Granja chegaram em Walla Walla para uma frígida recepção. A convenção ocorreu numa escola alugada. Em sua carta aos delegados, Bouck demandava que o governo continuasse os tempos de guerra contra o monopólio das estradas de ferro como um prelúdio para a apropriação pública do transporte e energia. Se lembrando da Primeira Guerra Mundial, ele lamentou sobre os "filhos que ficaram na Europa". Ele também foi firme contra a corrupção e investigou as atividades de compra e venda da cooperação.

A impresa local aumentou seus comentários feitos durante o discurso. O Boletim de Walla Walla desonrou Bouck como sendo um antipatriótico, e um radical Wobbly. Mas muitos dos membros da Granja tiveram filhos que lutaram na Primeira Guerra e que compraram Obrigações de Guerra. Estavam ainda juntando dinheiro para a convenção local da Cruz Vermelha. Um zelador que trabalhava na escola interrompeu a reunião ao dizer que havia uma regra contra a coleta de dinheiro no edifício. Indignada, a Granja saiu da escola cantando canções patriotas enquanto coletavam doações do lado de fora. (contando com os habitantes da região, eles enviaram a quantia arracada de $115 para a Cruz Vermelha nacional.)

A convenção continuou nos próximos dias e delegados elegeram Bouck como Mestre. Depois do elogio a Kegley, Ray McKaig, da Liga Não-partidária, fez um discurso em relação às suas transformações radicais na Dakota do Norte. Reagindo a esses dois episódios, o Boletim circulou denunciando a Granja como uma entidade desleal e não-Americana. A direção da escola repentinamente disse à Granja que eles teriam que deixar de realizar suas reuniões no local. Mais uma vez, membros deixaram a escola cantando "My County Tis of Thee". Havia um vigia local na multidão olhando com atenção para McKaig e Bouck. Os dois sumiram sem serem vistos.

Viajando pelo Estado, Bouck continuou seu discurso contra a extorsão que existia por causa da guerra.

No final daquele mês, na Granja, ele chamou a atenção sobre a elevação dos impostos sobre os ricos para financiar o esforço da guerra. Ele se opôs a hipotecar a guerra pela venda de Obrigações de Liberdade e se preocupou com o fato de a guerra deixar um défit que excederia os $100 bilhões.

Se ouvia gemidos, suspiros e uma gritaria no fundo da sala. Enquanto dirigia para Burlington, todos os quatro pneus do automóvel de Bouck furaram. Claro que se tratava de sabotagem. Especulava-se que os causadores da desordem também testificaram para um grande júri secreto em Seattle sobre as notas e observações de Bouck.

Em agosto, Bouck foi preso e indiciado por violar a lei federal do Ato de Espionagem de 1917, então recém criada. O Departamento de Justiça nomeou Clarence L. Reames como procurador especial para trabalhar em todos os casos relacionados à guerra. Esse procurador americano, que era de Portland, foi escolhido justamente pela sua experiência em lidar com os "teoristas de olhos violentos" do oeste de Washington.

O estado e a Granja nacional se juntaram a favor de Bouck. Pagaram sua fiança, que custou $5000, e cobriram todas as despesas legais. Até os populares se juntaram à empreitada.

Entretanto, alguém do Departamento de Justiça ficou preocupado com a fervorosa prossecução que Reames havia desenvolvido em relação a Bouck. John Lord O'Brian, procurador especial dos Estados Unidos, juntamente com o também procurador e congressista William E. Humphrey, impuseram limitações a Reames. Ambos apresentaram queixas ao procurador general Thomas Gregory. A investigação também revelou que haviam testemunhas declarando que não havia nenhum sentimento de anti-patriotismo na Granja e que Bouck algumas vezes prendia um broche da Cruz Vermelha e do Liberty Bond [Obrigações de Liberdade] em sua lapela. Alguns declararam que haviam visto Bouck e sua esposa comprando Obrigações de Liberdade e War Saving Stamps. [selos postais com temáticas patrióticas, cuja venda tinha como intuito captar fundos para financiar a guerra.]

Com a persistência de O'Brian e com o fim da guerra, Reames desistiu do caso.

Em 1920 Bouck ajudou a fundar o partido Farmer-Labor, de Washington. Ele concorreu a uma vaga no Congresso americano, mas perdeu a eleição -- obteve 40% dos votos em seu distrito. Eleitores de Washington elejeram três candidados do Farmer-Labor para a legislação estadual naquele ano.

Na convenção estadual da Granja, realizada em Colville, em 1921, o Mestre Bouck fez o discurso mais radical de sua vida -- continou a condenar o militarismo, dizendo, "Vamos nos organizar contra o terror do capitalismo!" e estimulava o não-pagamento de impostos em protesto aos gastos militares. Ele defendia mais domínio público e clamava por "acabar para sempre com a competição pelo lucro".

Estas fortes declarações dificilmente não foram noticiadas. Antes, Bouck teve que se desculpar à Granja por "trazer o partidarismo". Esse discurso foi o seu último último. Bouck foi suspenso da Granja estadual pela organização nacional. Logo ele deixou a organização. Como resultado, os membros estaduais da Granja caíram de 21 para 15 mil. 62 salas de reuniões foram fechadas.

Sempre destemido, Bouck fundou uma nova Granja: a Western Progressive Granje [Granja Progressista do Oeste]. A Granja original (estadual e nacional) conseguiu ficar com o nome "Granja", através de uma ação na justiça. A nova organização teve que adotar um novo nome, e se tornou, então, a Western Progressive Farmers [Fazendeiros Progressistas do Oeste]. Entre suas ideologias, encontravam-se princípios anti-capitalistas e cristianismo evangélico. As reuniões aconteciam em locais de trabalho dos membros ou ao ar livre, como antigamente. Uma das canções favoritas dos membros, sempre cantada durante os eventos, era a descarada The Bolshevik Farmers They Call Us [De Fazendeiros Bolchevistas Eles Nos Chamam], cantada ao ritmo de My Bonnie Lies Over the Ocean;

The Bolshevik farmers they call us,
The Bolshevik farmers may be,
The Bolshevik farmers they call us,

Yet nary a little care we.

O Western Progressive Farmers acabou se enfraquecendo. William Morley Bouck faleceu em 1945.

Com um novo Mestre, a Granja continuou exercendo sua força em Washington. Através da liderança de Albert Goss, ela conquistou um objetivo de Kegley / Bouck. Em 1930, os 23 mil membros da organização foram os grandes instrumentos que deram passagem à iniciativa de criar o sistema Public Utility District [cuja missão é dar apoio, proteção e desenvolver a habilidade de seus membros em oferecer, sem fins lucrativos, serviços utilitários controlados localmente para a população de Washington]. A Granja, juntamente com a maioria dos eleitores, conseguiu com êxito socializar os serviços de eletricidade e água encanada em boa parte do Estado de Washington.

Fontes usadas na elaboração deste artigo:

Washington Grangers Celebrate A Century. Gus Norwood 1989

Farmer Labor Insurgency in Washington State. Carlos A. Schwantes Pacific Northwest Quarterly January 1985

The Ordeal of W.M. Bouck, 1919-1919: Limits to the Federal Suppresion of Agrarian Dissidents. Carlos A. Schwantes Agricultural History July 1985

Making the World Unsafe For Democracy: Vigilantes, Grangers and the Walla Walla 'Outrage' of June 1918. Carlos A. Schwantes Montana The Magazine of Western History January 1981