Tradução do blog original de Krist Novoselic, músico, ativista político e ex-baixista do Nirvana.

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Krist Novoselic: Flipper Still Rules, OK???

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Bruce Loose e Krist Novoselic no palco com o Flipper. Copyright 2007 Anthony Rigano.
Mp3 gratuita do Flipper tocando "Way of the World"
Way Of The World — Copyright 2007 (Reppilf Music) [Exclusivo para o Seattle Weekly]

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Ouvi punk pela primeira rock vez em 1979. A rádio KZOK, de Seattle, tinha nas noites de domingo um programa chamado "Your Mother Won't Like It" ["Sua Mãe Não Vai Gostar Disso"]. O programa destacava músicas de ouvintes, que viravam os verdadeiros DJ's. Numa noite um dos convidados apareceu com uma tonelada de Punk Rock! Músicas dos Sex Pistols, Ramones, The Wierdos, junto com um monte de outras coisas da primeira onda do punk. Gravei a maior parte do programa numa fita cassete que até se estragou de tantas vezes que eu coloquei para tocar.

Por muitas razões, minha próxima dose de Punk aconteceu uns três anos depois com o movimento do American Hardcore. Buzz Osborne, um novo amigo meu que era de perto de Montesano, me trouxe alguns dos seus discos de Hardcore. Buzz também tinha uma banda chamada Melvins.

Um grupo que surgiu na Bay Area [região de São Francisco, Califórnia] foi o Flipper com seu álbum Generic. Admito que não sabia o que pensar quando ouvi o disco pela primeira vez. O som era sombrio e tinha uma produção com pouca definição, mais parecida ter sido gravado durante uma apresentação ao vivo. Foi ao ouvir pela terceira vez que me veio uma grande epifania. A música me levou a um universo onde o triste e o desanimador se tornavam algo lindo. Percebi que o trabalho era tão pesado e transcentente como qualquer coisa do alto escalão do rock. A convenção do mainstream estava quebrada. O Flipper era tão esquisito e perigoso para o mundo. E se o mundo não os entendessem, isso era apenas mais uma perda para a humanidade.

O Flipper foi uma banda proto-grunge. O som era sujo e lento: uma grande influência para as bandas de Seattle do final dos anos 80 e início dos anos 90. Kurt Cobain usou uma camiseta do Flipper ao vivo no Saturday Night Live. Me lembro de ter visto um adesivo da banda num furgão da Chevrolet do Soundgarden.

A estrutura das músicas era bastante básica. Cada melodia tinha apenas uma ou duas partes. Um arranjo típico era a forte linha de baixo, bateria firme e uma guitarra díssona, desafinada, distorcida. As letras falavam sobre alienação pessoal, anti-autoritarismo, ou as duas coisas. E havia muito senso de humor, também! A banda gravou dois discos nos anos 1980, incluindo o seminal Generic e Gone Fishin'.

A banda chegou ao seu limite - para o bem ou mal. Em dezembro de 1987, o co-vocalista e baixista Will Shatter sofreu uma overdose e veio a falecer. O guitarrista Ted Falconi, o baterista Stephen Depace e o vocalista/baixista Bruce Loose se separaram por algum tempo. Voltaram à ativa em 1993 com o novo álbum American Grafishy. Tragicamente, em 1995, o baixista John Dougherty teve o mesmo destino de Shatter e o Flipper passou a viver um novo momento de hiato.

Loose, Depace e Falconi se reuniram em 2005 com o baixista Bruno DeSmartass para liderar um movimento beneficente a favor da casa CBGB's, de Nova York. Depois de alguns shows, Bruno deixou a banda para cuidar de seus próprios negócios. (Uma pausa para quebrar algum tipo de maldição contra os baixistas da banda.) Em 2006, a pedido de Thurston Moore, o Flipper foi tocar no festival All Tomorrows Parties, no Reino Unido. Foi aí que fui convidado para tocar baixo no grupo.

Depois do festival, seguimos em turnê pelo Reino Unido, e na Irlanda abríamos para os Melvins. Foi muito divertido. Depois do tour, quis continuar tocando com os chapas, mas não tinha o desejo de pertencer a uma banda nostálgica. Então, começamos a tocar coisas novas. Houve uma faísca de inspiração com o grupo. Jack Endino gravou o novo disco e agora estamos em processo de mixagem.

2008 está moldado para que seja uma etapa de re-aparecimento do Flipper. Para segurar a ansiedade dos fãs, incluí aqui na coluna uma faixa nossa ao vivo para o seu prazer. A música é Way Of The World. A canção foi gravada por Jack Endino na casa Funhouse, em Seattle, no último mês de agosto. Espero que traga tanto prazer ao ouvir quanto me trouxe ao tocar.

Consolidação da Mídia

Perceba o que está acontecendo aqui... temos um amálgama de escritor, artista, promoter e distribuidor musical!

Também, a música está sendo oferecida por artistas dispostos e livre de cobranças.

Novoselic no NPR Esta Manhã

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Krist Novoselic, nosso novo blogger que discute música e política, esteve no The Bryant Park Project [canal de notícias do NPR, esta uma aclamada produtora e distribuidora de notícias não-comercial] esta manhã para falar sobre sua coluna online, sobre mídia e sobre o DVD do Acústico do Nirvana. Dê uma olhada na entrevista aqui.

Fique ligado para a próxima coluna de Krist, a ser postada ainda hoje, onde Novoselic irá divulgar uma mp3 de uma música ao vivo de sua banda, Flipper, tocada em um show recente na cidade.

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Krist Novoselic: MÍDIA EM TRANSIÇÃO

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Fui convidado para testemunhar um evento, o November 9th FCC hearing, em Seattle, sobre a consolidação da mídia. O evento foi anunciado de maneira acanhada e eu não poderia mudar os planos existentes. Foi atraente comparecer, até mesmo se fosse por causa só da declaração concedida pelo "FCC Commissioners Copps and Adelstein", declarando sua desaprovação sobre a má divulgação. Disseram antes do encontro começar, "Uma audiência com apenas cinco dias notifica que não haverá nirvana para Seattle e para o Pacífico a Noroeste. Isso cheira como se quisesse dizer espírito."

Chamar uma audiência numa divulgação breve apenas faz alguma mudança de regra proposta parecer um negócio feito. É irritante quando encontros públicos são tratados como um simples procedimento comum. Audiências são uma superfície em duas faces entre cidadãos e o seu governo. Votar é outro, e essa conexão é agoniante o bastante.

A proposta atual da FCC quer sossegar o banimento dado a uma única companhia que mantém um jornal, TV ou estação de rádio no mesmo mercado. Oponentes da solidificação da mídia teme que a laica diversidade não vai servir ao interesse público.

Vire-se e Conheça o Estranho

A mídia impressa tradicional está no centro de uma profunda transição em direção ao domínio da era digital. Como a indústria da música, há a necessidade de um novo modelo de negócios. Apresentar conteúdo em diferentes formatos é parte de se adaptar às novas circunstâncias.

Um tipo de amálgama já está acontecendo. A mídia jornalística impressa está incrementando seus recursos de áudio e vídeo online em seus websites. Você pode agora ir ao site de alguma emissora de TV e ler uma notícia. Não é uma extensão da imaginação dizer que a TV e os computadores logo serão um único aparelho.

Pessoas que viajam diariamente da casa para o trabalho, e vice-versa, que ouvem em seus veículos, se aliviam com o rádio mundano das mudanças tumultuosas. Mas a mudança chegará cedo ou tarde. Não há uma predição sólida sobre o futuro do rádio. De fato, muitas estações estão oferecendo serviços em HD, mas os consumidores ainda precisam comprar seus recepdores em massa. Os dois satélites provedores de rádio estão tentando imergir. E eu apenas me tornei atento ao rádio sem fio. Outras tecnologias potenciais fazem isso difícil de fechar algum acordo profético.

Convergência Harmônica

Em Astoria, no Oregon, a estação de rádio da comunidade local e o jornal começaram a colaborar um com o outro. A idéia não é criar um domínio. A Coast Community Radio é uma entidade sem fins lucrativos, enquanto que o jornal, Daily Astorian, é privatizado e mantido nas negociatas do Noroeste. Os dois oferecem notícias locais, nacionais e internacionais.

Repórteres do Daily Astorian começaram a apresentar programas periódicos no rádio. Também apresentam sínteses locais entre os seguimentos noticiários da NPR. O áudio original é transmitido pelo rádio e pelo site do jornal. Esses programas muitas vezes destacam entrevistas com oficiais locais ou com pessoas engajadas com afazeres culturais.

A cooperação entre essa mídia tradicional está também carregando éticas profissionais pela fronteira selvagem dos comentários on-line.

Conforme as ondas públicas de rádio viajam, a colaboração está criando uma programação dedicada ao interesse público local.

Internet Consolidada?

A internet é descentralizada por instinto. Ela produz naturalmente nichos centrais que circulam em vários formatos. A mudança de rumo da imensidão da escolha está criando esse fenômeno.

Devemos preservar a livre fluência da informação na internet. A consolidação da mídia, na forma de atravessar a perda das regras de dominação, é semelhante à maior edição da neutralidade-em-rede. Um conteúdo neutro das redes de comunicação não vai acelerar ou diminuir a velocidade da informação baseada em sua fonte, destinação ou domínio. As empresas que detêm uma boa infraestrutura da internet querem cada vez mais controlar a inundação dos dados no sistema. Em outras palavras, eles vão oferecer preferências de conteúdo e prioridade e podem ainda bloquear, diminuir a velocidade ou cobrar taxas por outras informações. Isso vai resultar na centralização da Internet.

Os gigantes da mídia tendem a resistir a descentralização. Uma vasta, e neutra, internet oferece oportunidade igual, gêneros inovadores e uma competição favorecida: princípios que condenam o oligopólio.

(Descoberta: Krist Novoselic é membro do quadro de diretores da Coast Community Radio.)

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Krist Novoselic: O começo do Transpartidarismo

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Fotos por Krist Novoselic. Hendrik Hertzberg, à esquerda, e David Keating.

Esta semana estive em Washington DC no
Claim Democracy Conference patrocinada pelo FairVote. Venho servindo no fórum dos Diretores desde 2004 (isto é também uma retratação).

O evento foi um ponto de encontro para várias pessoas e organizações trabalharem em prol de uma democracia melhor. Uma diversidade de emissões de votos foi discutida durante o evento.

Houve uma interessante idéia apresentada, com o título:
Seeking Common Ground (Procurando Caxias em Comum). Incluia Spencer Overton (autor e professor de Direito), Grover Norquist (membro da "Americanos em prol da reforma tributal"), David Keating (membro do Club for Growth), Hendrik Hertzberg (da revista New Yorker) e foi moderada pelo diretor executivo do FairVote, Robert Richie.

A idéia por trás do painel era observar se havia alguma coisa em que a Direita e Esquerda concordassem, conjuntamente. Hertzberg, que também pertence ao FairVote, trouxe os mecanismos de votação. Disse que americanos não são irracionais por não participarem das votações. E, é a antiquada estrutura das nossas eleições que desestimula os eleitores. Hertzberg estava em um lugar familiar, por isso tentou liderar a discusão até o
"Ranked Choice and Proportional Voting".

Norquist começou a usar o termo
"transpartisan" (ou "transpartidarismo"). Falou sobre sua colaboração com o ACLU para prevenir a nação da longa duração dos governos de Bush II e Clinton, respectivamente. Ele também compartilhou suas idéias de como os grupos contribuintes de ambientalistas e conservadores trabalharam juntos para fazer com que o governo interrompesse a exploração de áreas litorâneas.

"TRANSPARTIDARISMO": O mais interessante, Holismo bipartidário?


Ao contrário do bipartidarismo, onde dois lados de uma mesma moeda se juntam para algo conveniente, ou o não-partidarismo, que evita a afilicação a partidos políticos, o transpartidarismo pode ser descrito como um respeito às duas crenças partidárias (Esquerda e Direita) enquanto identifica valores em comum às duas (há também o pós-partidarismo, que parece ser um esquema retórico para que o governador da Califórnia, rebublicano, trabalhe com aquela legislação do estado-azul).

Será que a hora para o transpartidarismo chegou? Patrocinadores alegam que se trata de uma teoria giratória. Vejo algo parecido em minha Granja local. Uma das razões pela qual eu participei foi justamente essa mistura de sujeitos (liberais, centristas e conservadores). É sempre bom experienciar a humanidade acima de qualquer rixa partidária. Muitas pessoas têm algo em comum.

É claro, essa mistura de valores pessoais divergentes não é amorosa nem clara. Algumas perspectivas podem não se harmonizar, mas podem ser assentadas. Nossas instituições democráticas são o fórum para resolver essas questões.

Ilustre Patrono


O respeitável Washington State Grange ["Granja do Estado de Washington", uma organização fraternal não-partidária existente desde 1867, que se auto-proclama como "a voz do povo de Washingtion", que advoga a favor de grupos rurais e promove programas para jovens, entre outros eventos] é muito importante na história do nosso estado. Muitas das façanhas conquistadas se devem à Granja.

Como mencionado acima, a Granja não é um movimento monolítico. Eu não concordo com algumas posições adotadas pela organização estatal. Nunca assinei a petição I-872 ou votei a seu favor. Acredito que o bipartidarismo não só causa danos à associações livres (e vou chegar a esse assunto numa outra coluna), mas como também não é um sistema de votação muito dinâmico.

Escolha-Um-Bode-Espiatório


A Granja, ao apoiar a petição I-872, meio que definiu a direção das primárias para escolher um partido ao alcançar perto de 60% dos votos. De fato, a maioria dos eleitores de Washington não gostam desse sistema para escolher um partido. Mas o difundido e antigo sistema não adepto do bipartidarismo não vai fazer nada com alegria sobre o assunto, também.

Dê uma olhada nas disputas do Conselho da Cidade de Washington que ocorreram na semana passada. Houve três corridas que demonstraram a laica-lustre dinâmica para se qualificar as primárias.

Na disputa do Godden / Szwaja, o beneficiado Godden recebeu 53% nas primárias de agosto. Não incluindo nenhuma revelação ou incidentes, foi fácil entender que ela poderia levar essa maioridade à cunho geral. Isso causou prejuízos a sua concorrente e a disputa nunca decolou como competitiva.

Houve incidentes e revelações que apertaram a rixa entre Velasquez / Harrel. Uma velha disputa muito competitiva foi inclinada e os eleitores, por lei, tiveram apenas um único candidato para escolher naquela cédula de votação.


Escolha Significativa


Se, como era esperado, a Suprema Corte dos Estados Unidos estatuta a I-872 inconstitucionalmente, há rumores sobre o cobertor não-partidário das primárias substituir a escolha do partido. Ignorar a afiliação a um partido ao remover o pequeno R, D ou qualquer identificação da cédula não passa de uma simples gambiarra, e negligente. Será que os eleitores de Washington realmente querem apenas duas escolhas em suas cédulas? Considerando o fraco sistema de votação não muito dinâmico citado acima, devemos indagar: esse é o melhor jeito de fazer política que conseguiremos?

Eu não vejo que o transpartidarismo seja um tipo de ideal utópico. Política sempre será política: uma pequena confusão, e suja. E essas coalizões incomuns não são coisas novas, também. Será que talvez o aparecimento desse termo é um indicativo da transição da polarização e do pensamento reacionário? Só o fato do atual sistema de votação se tornar mais dinâmico pode prometer um jeito melhor de fazer política.

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Robert Richie (à esquerda), Spencer Overton (centro), e Grover Norquist.

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

A estréia de Krist Novoselic no SW: Smells Like (insira uma palavra aqui) Spirit

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Krist Novoselic posta todas as terças no The Daily Weekly

Recentemente fiz uma entrevista para um documentário chamado "Videos That Rocked the World". Falei sobre o clipe de Smells Like Teen Spirit, do Nirvana. O programa irá ao ar pelo FUSE, um canal musical que de fato tem música em sua programação. Se você puder sintonizar a série, eu recomendo (começa no dia 26 de novembro).

Claro, não pude falar tudo que eu gostaria, então não fiquei completamente satisfeito. Não havia muito tempo para que eu ou Dave Grohl falássemos (pessoas que foram da banda / estiveram no clipe!).

Alguém no programa disse uma história sobre o título da canção, Teen Spirit, que eu gostaria de esclarecer.

De fato, Kathleen Hannah escreveu "Kurt Smells Like Teen Spirit" (Kurt cheira como espírito adolescente) na parede do apartamento de Kurt. Me recordo que vi aquilo e pensei, "Muito vinho tinto barato!". Não me lembro do por que de ela ter escrito essa frase, mas sei com certeza que Kurt não tinha nenhum problema com odores. Mesmo aquele lugar sendo uma bagunça, ele cuidava de sua higiene. Esse rapaz se encharcava no banho noite após noite só ouvindo Beatles.

Não dou muitas entrevistas sobre o Nirvana. Eu poderia fazer um documentário com entrevistas sobre a banda todos os dias, para sempre! Para o bem ou mal, a revolução digital é o melhor nivelador. Você não precisa de tanto conhecimento a respeito da velocidade de obturadores, das condições de luz para estocar filmes, ou de outros dispendiosos aspectos da celulóide.

Mas o FUSE é uma mídia da tendência atual e as produções do canal têm sempre uma qualidade exemplar. A maior razão pela qual eu fiz a entrevista foi porque eu queria falar sobre o símbolo da Anarquia estampado nas roupas das cheerleaders, em cadeia nacional (sou o baixista do Flipper, afinal)! É claro que Anarquia é sinônimo de caos e desordem. Mas Anarquia tem outro significado; é sobre as pessoas assimilares algo que vive fora da estrutura estatal. Anarquistas comprometidos de fato com esse ideal estão se encontrando com pessoas bem orientadas.

Não é coincidência que o símbolo da Anarquia seja predominante no underground e na cultura da música hardcore do começo dos anos 1980. Muitos princípios dessa ideologia foram praticados nessa cena.

O punk rock
sub-strata foi independente das corporações ou dos governos dos Golias. Funcionava com uma estrutura descentralizada de indivíduos comprometidos com a música e valores promovidos por fanzines e performances ao vivo. Incontáveis publicações saíram em fotocópias e eram distribuídas mesmo para um público de menos de 100 pessoas. Eu observava, e até mesmo toquei em shows com umas 20 pessoas na platéia. O ponto é não fazer parte de algum tipo de tendência; está associado com pessoas com necessidades e valores em comum.

Organizações anarquistas são temporárias. A idéia é não encorajar a burocracia ou diretores de empregos desenvolventes só por causa de seus motivos. Também, a participação nessas organizações ou levantes é voluntária.

O hardcore indepentende / movimento punk prosperaram nacionalmente antes da dominação da internet.

Eu ainda usei o termo
anarco-comunalista na entrevista. Mas depois que eles gravaram meu discurso persuasivo sobre essa filosofia política, tudo foi editado e só o que vai ao ar sobre o assunto é o meu discurso sobre o símbolo da Anarquia, onde eu disse que ele estava no clipe porque refletia valores do underground e de onde nós viemos. Muito para uma aparição no horário nobre!

Para o anarquista, o Estado é o inimigo. Eu não acredito nisso. Fui intimidado por pessoas estúpidas que abraçavam atos de violência sobre a propriedade durante o Seattle WTO em 1999. Caminhei sobre cacos de vidro e inalei gás lacrimejante o suficiente para ir embora enojado do que havia acontecido. Há o caráter da não-violência na ideologia chamada
anarquia-pacifista.

Também acredito em regulamentos razoáveis porque é ingênuo pensar que muitas pessoas irão agir baseadas em princípios e não vão aceitar o que não é deles. Precisamos respeitar ambas as coisas, a propriedade privada e a pública. E quem é que faz esses regulamentos? O governo faz. E isso pode funcionar bem a partir de uma democracia representativa.

Ideais de política popular são como uma cadeira de três pernas. Uma perna é a do conservadorismo reacionário, outra é a do liberalismo reacionário e a terceira é indiferente, apática. Todas as três sustentam um governo centralizado / uma estrutura econômica.

Considerando a deficiência da ideologia coerente, por que não dar uma olhada nas estruturas descentralizadas? Enquanto que há um termo antiquado, na necessidade de um novo nome, o Anarquismo precisa ser discutido num contexto do sistema atual. Precisamos não esmagar nossas instituições. Mas podemos transitar em direção a uma reforma prática. A chave está em outro termo usado no movimento do punk rock: "Faça você mesmo".

E "faça você mesmo" não significa "faça sozinho".